
Presidente do Corecon-RO/AC defende reversão do pedágio e diz que contratos “não são imutáveis”
O economista Francisco Aroldo Vasconcelos de Oliveira, presidente do Conselho Regional de Economia de Rondônia e Acre (Corecon-RO/AC), afirmou que a concessão da BR-364 pode ser revista e defendeu a reversão do modelo de pedágio implantado no Estado. A declaração foi feita durante entrevista concedida ao jornalista Carlos Araújo, na tarde de quarta-feira (28), no programa Manchetes do Dia.
Segundo Aroldo, a cobrança do pedágio tende a produzir um efeito em cadeia sobre a economia rondoniense, ao elevar custos logísticos e impactar diretamente os preços de produtos e serviços. “Isso afeta a economia popular, a classe média e o setor produtivo. O encarecimento do transporte acaba sendo repassado para toda a sociedade”, afirmou.
O presidente do Corecon-RO/AC criticou a falta de debate público prévio à concessão e sustentou que instrumentos legais e contratos administrativos podem ser revistos quando há impacto social relevante e questionamentos sobre o processo decisório. “Nada é imutável. Leis e contratos podem e devem ser reavaliados quando não atendem ao interesse coletivo”, disse, ao citar exemplos de revisões ocorridas em outros estados.
Durante a entrevista, Aroldo destacou a importância estratégica da BR-364 para Rondônia, classificando a rodovia como o principal eixo de integração econômica do Estado. Ele lembrou que a estrada conecta os maiores polos urbanos e produtivos e sustenta o fluxo de mercadorias que abastece tanto o mercado interno quanto cadeias de exportação. Nesse contexto, avaliou que decisões relacionadas à rodovia precisam considerar o impacto de longo prazo sobre o desenvolvimento regional.
O economista também contextualizou o crescimento da economia rondoniense nas últimas décadas, impulsionado pela agropecuária e pela chamada economia de fronteira com Mato Grosso. Ele citou a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e o aumento do rebanho bovino como indicadores de uma vocação produtiva consolidada, que depende de infraestrutura eficiente e custos competitivos.
Além do pedágio, Aroldo apontou outros fatores que pressionam o custo de vida em Rondônia, como tarifas elevadas de energia e a carga tributária sobre serviços essenciais. Para ele, o debate eleitoral que se aproxima deveria priorizar propostas concretas voltadas à produtividade, à redução de entraves econômicos e à melhoria do ambiente de negócios.
Ao final da entrevista, o presidente do Corecon-RO/AC defendeu maior protagonismo da sociedade civil no debate público. Segundo ele, imprensa, entidades técnicas e setor produtivo precisam participar ativamente das discussões para que o futuro do Estado não fique restrito a decisões políticas sem amplo diálogo.
Entrevista no link: https://www.youtube.com/watch?v=scUZP5OkAss


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